UM LUGAR PARA DORMIR
Enquanto caminhava de volta para praça é que Dayelle se deu conta de que não tinha onde dormir. Como não pensou nisso antes? E agora? Saiu de casa só pensando em arrumar emprego. Nem se quer pensou em um lugar para ficar. Viu-se diante de um grande problema. Ela que morria de medo de dormir sozinha. Sempre dormiu rodeada pelos irmãos. E se aparecesse um marginal, um ladrão? Mas o que um ladrão ia querer com ela? Pensou. De longe se via que não tinha nada. Bem, esse medo ela não correria.
- Esquece o medo Daye. – tentou se encorajar – A praça é toda iluminada. Não tem perigo algum. Além do mais, está um calor de rachar. Paredes só iam fazer esquentar muito mais.
Lembrou-se que no salão de beleza do outro lado da rua tinha tv. Resolveu ir para lá. Mais tarde voltaria para a praça.
Chegou, ficou em pé do lado de fora com medo de ser chamada a atenção. Via as madames saírem todas bem penteadas.
O salão estava cheio. As cabeleireiras, as manicuras e pedicuras tinham que se desdobrarem para darem conta do serviço. De vez em quando as meninas do salão olhavam para ele.
Como não podia passar despercebida, uma cabeleireira se aproximou dela. Dayelle sentiu-se ameaçada e ia fugindo.
- Calma menina! – Falou a cabeleireira – Vem cá, quero ver seu cabelo.
- O que teria seu cabelo de errado? - Pensou Dayelle. Mas obedeceu e voltou.
- Gente, que cabelo lindo! – falou a profissional enquanto os cabelos de Dayelle escorriam entre seus dedos de tão sedosos e macios – o que você usa?
- Ah, moça, Nada! Só lavo mesmo.
- Nada? Ele é natural?
- Como assim? Natural?
- É! Você nunca usou nada?
- É como eu falei: só lavo.
De repente Dayelle estava rodeada de mulheres que lançavam elogios e admiração aos seus cabelos. Até os homens se admiravam.
- É mesmo muito lindo! – falou a outra cabeleireira – só precisa tirar as pontas. Dar uma acertada.
- Você não é daqui. Não me lembro de você – falou a outra.
- Sou do interior, cheguei hoje.
- Vai ficar aonde? Tem pra onde ir?
- Tenho! – respondeu rapidamente – Tenho sim – Só estou dando um tempo. Está muito calor.
- Está quente mesmo. Mas pode entrar para assistir TV. Sente-se ali – indicou um lugar.
Dayelle agradeceu, entrou e sentou.
- É mesmo muito lindo o seu cabelo – falou ainda admirada a cabeleireira.
Todas as pessoas foram atendidas pelas profissionais de acordo com suas necessidades e uma a uma foi deixando o salão.
Dayelle permaneceu lá até o salão fechar. Despediu-se de todas e agradeceu a gentileza e foi caminhando em direção à praça.
Já não havia tantas pessoas na praça. Apenas alguns que passavam por ela, com certeza, voltando para suas casas. Na lanchonete “Aki Tem” algumas pessoas lanchavam. O que mais se tomava eram sorvetes devido ao calor.
Dayelle colocou sua mochila como travesseiro em um banco um pouco afastado da rua e tentou dormir um pouco. Ouvia as gargalhadas das pessoas na lanchonete. Fechou os olhos e começou a dormir, pois estava muito cansada. Uma folha da árvore caiu sobre seu rosto, o que fez com que acordasse assustada. Sentou-se depressa, com o coração quase saindo pela boca. Teve a impressão de ter sido tocada por alguém.
– E se alguém tentasse molestar-me? – pensou.
Lembrou que alguns rapazes lhe disseram gracinhas. E se ficasse ali e fosse agarrada e estuprada? Melhor seria procurar outro lugar para dormir. Levantou, apanhou sua mochila e saiu. Talvez pudesse dormir na calçada do Monteiro & Cia. Lá ela poderia se esconder atrás da caçamba de lixo. Tratou logo de colocar sua idéia em prática.
Dayelle arrumou algumas caixas de papelão que estavam no lixo do Monteiro e Cia, forrou com alguns jornais limpos que havia ali, fez a mochila de travesseiro e assim, atrás da caçamba de lixo deitou-se. Fechava os olhos para ver se o sono vinha, mas nada de dormir. Não havia mais ninguém na rua. Todos haviam se recolhido em seus belos palácios. Ao longe alguns cães latiam fazendo a guarnição de seus senhores. Dayelle sentia medo. Chegou até mesmo se arrepender de ter saído de casa. Mas não podia aceitar pacificamente a maldade que seus pais fizeram. Sem encontrar seu filho é que não ia ficar. Estava decidida. Tinha que valer a penas seu sacrifício. E assim, pensando em tudo, Dayelle adormeceu.
Subitamente foi acordada com dois faróis de carro sobre ela, cegando-lhe os olhos. Entrou em desespero e imediatamente se colocou de pé, pensando o pior. No interior sempre ouvia falar de homens que pegavam adolescentes para “fazer a vida”. Seu pai sempre falava que não era fácil criar filhas na cidade grande. Ou elas caiam na vida porque queriam ou então eram levadas contra sua vontade. Dayelle tremia toda. Quis correr, mas não conseguia mover-se. Viu a porta do carro se abrir e um homem sair de dentro dele. O homem caminhou em sua direção em passos rápidos e Dayelle fez a única coisa que era capaz de fazer: gritou, gritou, gritou em altos pulmões. E a cidade completamente deserta.
Já não havia tantas pessoas na praça. Apenas alguns que passavam por ela, com certeza, voltando para suas casas. Na lanchonete “Aki Tem” algumas pessoas lanchavam. O que mais se tomava eram sorvetes devido ao calor.
Dayelle colocou sua mochila como travesseiro em um banco um pouco afastado da rua e tentou dormir um pouco. Ouvia as gargalhadas das pessoas na lanchonete. Fechou os olhos e começou a dormir, pois estava muito cansada. Uma folha da árvore caiu sobre seu rosto, o que fez com que acordasse assustada. Sentou-se depressa, com o coração quase saindo pela boca. Teve a impressão de ter sido tocada por alguém.
– E se alguém tentasse molestar-me? – pensou.
Lembrou que alguns rapazes lhe disseram gracinhas. E se ficasse ali e fosse agarrada e estuprada? Melhor seria procurar outro lugar para dormir. Levantou, apanhou sua mochila e saiu. Talvez pudesse dormir na calçada do Monteiro & Cia. Lá ela poderia se esconder atrás da caçamba de lixo. Tratou logo de colocar sua idéia em prática.
Dayelle arrumou algumas caixas de papelão que estavam no lixo do Monteiro e Cia, forrou com alguns jornais limpos que havia ali, fez a mochila de travesseiro e assim, atrás da caçamba de lixo deitou-se. Fechava os olhos para ver se o sono vinha, mas nada de dormir. Não havia mais ninguém na rua. Todos haviam se recolhido em seus belos palácios. Ao longe alguns cães latiam fazendo a guarnição de seus senhores. Dayelle sentia medo. Chegou até mesmo se arrepender de ter saído de casa. Mas não podia aceitar pacificamente a maldade que seus pais fizeram. Sem encontrar seu filho é que não ia ficar. Estava decidida. Tinha que valer a penas seu sacrifício. E assim, pensando em tudo, Dayelle adormeceu.
Subitamente foi acordada com dois faróis de carro sobre ela, cegando-lhe os olhos. Entrou em desespero e imediatamente se colocou de pé, pensando o pior. No interior sempre ouvia falar de homens que pegavam adolescentes para “fazer a vida”. Seu pai sempre falava que não era fácil criar filhas na cidade grande. Ou elas caiam na vida porque queriam ou então eram levadas contra sua vontade. Dayelle tremia toda. Quis correr, mas não conseguia mover-se. Viu a porta do carro se abrir e um homem sair de dentro dele. O homem caminhou em sua direção em passos rápidos e Dayelle fez a única coisa que era capaz de fazer: gritou, gritou, gritou em altos pulmões. E a cidade completamente deserta.

liinda do meu coração ! ♥
ResponderExcluirposta mais ._.
ResponderExcluirImagina! Seu blog é bom sim, e a história é linda. Continue postando sim :D
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