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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

CAPÍTULO 05

A CHANCE

Enquanto esperava a hora de voltar à mansão Zandelly, resolveu dar uma caminhada pela cidade. Quanto mais ela andava, mais se admirava. Lojas elegantes, Salões de beleza. Tinha até uma loja para animais. Vestidinhos, lacinhos, sapatinhos. Lá dentro uma cadelinha branca toda peludinha experimentava um modelito. Dayelle riu da cena. Nunca viu cachorro vestir roupa.

Seguiu em frente. Viu uma academia de ginástica e através da vidraça observou que algumas pessoas malhavam. E assim, ia fazendo descobertas e mais descobertas. Lojas, igrejas, supermercados – tinham outros além do Monteiro & Cia – farmácias, locadoras de vídeos. Chegou até se perder pela cidade e precisou de ajuda para encontrar a pracinha. Eram mais de seis da tarde quando conseguiu voltar. Seguiu para a mansão dos Zandelly. Chegando ao portão, estavam conversando o segurança e uma senhora.
- Será que é a dona da casa – perguntou-se Dayelle.

O segurança a reconheceu e comentou alguma coisa para a companheira e foram falar com Dayelle.
- Olá, Boa noite – falou para ambos – estive aqui hoje cedo.
- Então você é a menina que procura emprego? – quis saber a senhora, caminhando em sua direção, abrindo o portão. – O que sabe fazer?
- Há! Numa casa sei fazer de quase tudo; lavo, passo, arrumo. Só não sei cozinhar para pessoas tão chiques, mas se me ensinar, eu aprendo rápido.
- Vejo que tem disposição.
- É o que mais tenho, senhora. Não vai se arrepender, se me der oportunidade. Estou acostumada a trabalhar duro.
- Bem... Emprego fixo eu não tenho como te dar. Só os patrões podem fazer isto. E hoje eles vão demorar. São médicos e, você sabe, não têm hora para chegar.
- Entendo... – falou a menina desolada,
- Mas venha amanhã. Numa casa como esta há sempre muito trabalho e ajuda nunca é demais. Os doutores são pessoas muito bondosas, estão sempre ajudando quem precisa. Não vão se incomodar em te dar alguma coisa para ajudar na limpeza. A não ser que você não queira.
- Não...
- Não?
- Não, quer dizer, sim. Desculpa, estou meio atrapalhada. Quero sim é muita bondade da senhora.
- Então está combinado. Amanhã eu te espero, certo?
- Está certo. Muito obrigada. Até amanhã e uma boa noite.
Despediu-se e saiu.

- Pobre menina! – exclamou o segurança.
- Acha que fiz certo, Pedro? Estou com medo dos patrões não gostarem. Afinal, a gente nem conhece essa menina.
- E você acha que eles se incomodam com isso, Rita? Conhecendo os patrões como conheço, eles fariam o mesmo ou até mais. Seria bem capaz de acolhê-la, aqui.
- É verdade. Eles não agüentam ver crianças sofrendo.
- Com certeza iriam brigar, se não tivéssemos feito nada. Principalmente ao saber que ela veio do interior a procura de emprego. Doutor Zandelly diz que bandido não procura emprego. Só quer facilidade. Quem quer trabalhar tem fome.
- Hi, Pedro! Coitada! Deve está com fome e não oferecemos nada. Tem tanta comida pronta. Amanhã vai tudo para o lixo.
- E eu acho que ela não tem ninguém aqui, não. Ela está andando com aquela mochila desde cedo.
- É! Como você disse: pobre menina!

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