O DONO DO SUPERMERCADO
Dayelle caminhava pelas ruas da cidade de Tupamirim com uma mochila nas mãos contendo seus pertences: dois pares de roupas, chinelos, escova de dente, pentes e o que ela mais amava: seu livro de poesias de Vinicius de Morais que ganhara de sua professora Marli quando ainda cursava a 5ª série.
Apesar da simplicidade em que estava vestida, chamava a atenção por onde passava. Todos os rapazes olhavam sua beleza rústica, porém tentadora, com seus longos cabelos escorridos até às costas.
Vestia uma calça jeans surrada e sua camiseta azul, desbotada devido ao uso exagerado. Era a sua preferida. Ganhara de Marcos quando brigara na escola com Betinha lamb-lamb e sua camiseta ficou toda rasgada. Foi uma briga pra ninguém botar defeito que acabou com a saída de sua rival da escola. Todos apoiaram Dayelle. Até os professores, pois sempre foi muito educada e estudiosa; amiga de todos.
– Betinha mereceu a surra! Era o que todos diziam.
Marcos foi muito cavalheiro em emprestar sua camiseta. Quando ela foi devolver, lavada e passada, ele lhe disse que era sua como um troféu por ter vencido a babaca da Lamb lamb. Nunca mais ela iria lamber o picolé de ninguém. Os menores, então, viam em Dayelle sua salvadora. Lamb-lamb havia lambido e cuspido no picolé de muitos deles.
Essas imagens iam e vinham nos pensamentos de Dayelle que já estava cansada de andar e faminta. Sentou na praça para descansar.
Vias as pessoas passando de um lado para outro. Todas muito chiques. As mocinhas de sua idade com seus biquínis coloridos, voltando da praia, as babás brincando com as crianças no parquinho.
Carros, cada um mais lindo do que o outro. Os motoqueiros passavam cantando pneus e desapareciam na curva, depois do supermercado Monteiro & Cia.
Revirou sua mochila a procura de algumas moedas para ver se dava para comprar ao menos um biscoito. Contando algumas moedas, foi em direção ao Monteiro & Cia. Sua admiração pela cidade crescia cada vez mais ao avistar aquelas lindas mansões por onde passava.
Ela que durante toda sua vida, na maioria das vezes só via barracos, enormes áreas de capim seco castigado pelo sol. A casa mais bonita que tinha visto era a do seu Joaquim da mercearia que agora parecia tão pobre diante de tanta beleza, com seus jardins todo florido. Não via nenhuma criança de pés descalço. Todas bem vestidinhas. As meninas pareciam bonequinhas de tão lindas.
Chegando ao supermercado, procurou por alguma coisa que suas moedas pudessem pagar. O biscoito mais barato custava Cr$0,99 e ela só tinha Cr$0,90. Pegou o biscoito e resolveu perguntar a moça se podia deixar pelo que ela tinha.
- Moça pode fazer por Cr$0,90 para mim?
O gerente que a observava desde a hora que ela entrou no supermercado, se aproximou e falou:
- Você não é daqui, não é? Não me lembro de você.
- Será que era dono do supermercado? – pensou.
- Cheguei hoje. Vim do interior para tentar arrumar um emprego aqui.
- Hãrrã! Pode cobrar só o R$0,90 dela, Amália – falou o gerente.
- Com certeza era o dono – pensou – tão bem vestido, de gravata e tudo. Fez até o biscoito por menos.
- Vocês têm água para me dá um copo? Perguntou a jovem.
- Temos sim – falou o gerente apontando para o bebedouro em direção ao guarda volumes – é ali. Pode beber a vontade.
Bebeu bastante até saciar a sede de muitas horas, pois só bebera água na última parada que o ônibus fizera. Agradeceu e foi em direção a praça, comendo o biscoito, saboreando cada mordida como se fosse o primeiro que comera em toda sua vida.
Ela que durante toda sua vida, na maioria das vezes só via barracos, enormes áreas de capim seco castigado pelo sol. A casa mais bonita que tinha visto era a do seu Joaquim da mercearia que agora parecia tão pobre diante de tanta beleza, com seus jardins todo florido. Não via nenhuma criança de pés descalço. Todas bem vestidinhas. As meninas pareciam bonequinhas de tão lindas.
Chegando ao supermercado, procurou por alguma coisa que suas moedas pudessem pagar. O biscoito mais barato custava Cr$0,99 e ela só tinha Cr$0,90. Pegou o biscoito e resolveu perguntar a moça se podia deixar pelo que ela tinha.
- Moça pode fazer por Cr$0,90 para mim?
O gerente que a observava desde a hora que ela entrou no supermercado, se aproximou e falou:
- Você não é daqui, não é? Não me lembro de você.
- Será que era dono do supermercado? – pensou.
- Cheguei hoje. Vim do interior para tentar arrumar um emprego aqui.
- Hãrrã! Pode cobrar só o R$0,90 dela, Amália – falou o gerente.
- Com certeza era o dono – pensou – tão bem vestido, de gravata e tudo. Fez até o biscoito por menos.
- Vocês têm água para me dá um copo? Perguntou a jovem.
- Temos sim – falou o gerente apontando para o bebedouro em direção ao guarda volumes – é ali. Pode beber a vontade.
Bebeu bastante até saciar a sede de muitas horas, pois só bebera água na última parada que o ônibus fizera. Agradeceu e foi em direção a praça, comendo o biscoito, saboreando cada mordida como se fosse o primeiro que comera em toda sua vida.

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